Niterói, eu te amo I
Eu amo Niterói. Na verdade, amo Icaraí. Deve ser porque nasci aqui e logo me mudei pra Juiz de Fora, depois Teresópolis. Uma marca de nascença, não sei. Restou-me, então, retornar. Mas parece que, aos poucos, encontro um pedaço de mim que esqueci aqui… Filosofia. Sempre em filosofia.
:)
Preso em calor. Pensamento preso na sensação térmica de 55°C. E a química disso explica o resultado: moléculas agitadas, precisam sair de casa. Praia. Sempre a praia de Icaraí: na “esquina dos banquinhos”, perto das Sendas – quando sozinha – e nas grades depois do museu – quando pra compartilhar algum silêncio.
E lá eu sento – nos banquinhos – ao lado de um velhinho. Ele em uma extremidade e eu na outra. Pego meu livro e começo a ler. Mas, do canto do olho, dá pra ver o velhinho passando as mãos por seus braços, apreciando a vista (quem vê a praia de dia, vê vida; quem vê a praia à noite, vê saudade). Não dava pra me concentrar mais. Por algum motivo, aquele velhinho não me deixava ler. Ele lá, eu cá. Os dois pensando em liberdade (praia é sempre liberdade). Ele na que teve, eu na que quero ter. Penso se vive-se a velhice pra reviver a vida aos ventos; e se o for, mero vácuo… nem razão, nem sentido: opostos, eu e ele. Ele vive pra me reviver?
Foi quando uma barata deu o ar da sua graça. À princípio, digno-me, em pensamento, a impulsos mórbidos. Ele, não. Aprecia sua passagem, sem coragem de pensar em crueldade – cicatriz de quem conviveu consigo mesmo, sei lá, 70 anos?, e sabe dos calafrios de quase-mortes.
Então eu soube. A diferença entre mim e o velhinho não se limita a histórias a serem contadas ou que já foram contadas; nem mesmo a suas saudades e as minhas devoções ao destino. Ela se dá entre amor dele à vida e no meu à minha. Ele lá, eu cá. Velho e jovem. Morte e vida.
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Po…isso é foda de pensar né….Vai ver o velhinho tá vivendo no mesmo momento q vc uma sensação de liberdade tbm, mas na velhice dele.Sem essse entusiasmop e juventude que vc….Eu amo niterói tbm..