Remaining young forever

Coesão – Parte II

Appy-polly-loggies

Eu não podia acreditar.

Realmente, não podia. É que devo ficar nervosa quando lido com situações sérias. Então, o riso me escapa…

Eu era o reflexo do meu repúdio. Era o empirismo de Hobbes, já que, como poderia culpar a sociedade com uma hipocrisia? O sorriso foi tão nítido, tão instintivo, que era óbvio que eu não tinha conhecimento das minhas intenções. Isso se dá pelo fato de eu nunca ter me considerado má.

- Não conte a ela que você está a par de tudo. Ela nunca me perdoaria, mas foi necessário. – falei de súbito, com a coitada ainda saindo, ao tentar me livrar de alguma agonia.

- Claro que não. E obrigada. –  disse, inocentemente,  como a maioria de nós, que sempre acredita que a bondade pode e deve estar nos outros. Já que, definitivamente, não está em você.

Essa última frase; esse agradecimento. Poderia ter ficado em branco para que eu, pelo menos, continuasse o meu dia me conformando em ser, simplesmente má por natureza. No entanto, ao dizer “obrigada”, tira-se o peso de uma  ”tarefa a recompensar” e o transfere em forma de “sou um bom cidadão” para quem o falou. Não consigo, contudo. Assim sendo, carreguei não só a certeza de que era o espelho das minhas hipocrisias, mas a esperança inválida da humanidade nela mesma.

17 de junho de 2010 Publicado por | Nude... :) | 3 Comentários

Coesão – Parte I

Justiça Enlatada

- Vou arrumar o quarto e já volto.

E foi.

Só que senti falta dela. Dividíamos um apartamento pequeno e reclamávamos incessantemente da mania e presença uma da outra. Porém, senti falta naquele intervalo de cinco minutos. Abri a porta do quarto e lá estava, sentada na cama, como que uma criança na pele de um adulto que acabou de ser descoberto, mas finge ser correto e soberbo. Em sua mão, uma carta. Olhei e, pela letra, pela cor do papel e estado de conservação, notei que não me pertencia. Nem a ela.

- Tem alguma coisa errada. – ela se justifica.

- Sim. Você está lendo uma carta que não é sua. Esse é o erro. – Retruquei.

- Eu sei, mas você não entende. Tem algo muito errado. – disse ela, como que impondo um tom gentil ao desrespeito que estava cometendo. No entanto, eu a conhecia e sabia que não passava de curiosidade embutida em falso altruísmo.

Saí do quarto e fechei a porta. Rosnava por dentro e precisava latir em algum canto. Hesitei. Fui, pois, contar à verdadeira dona da carta. Na minha cabeça, por mais que soasse como uma desprezível fofoca, era meu dever falar a ela. Como se fosse insuportável conviver em um ambiente em que você seja cúmplice de uma sujeira feita com alguém que você ama.

- E foi isso que aconteceu. – vomitei.

- Não posso acreditar! Que falta de respeito! – e andou, indignada, em direção a algum lugar onde pudesse ficar sozinha.

No entanto, no lugar da expressão antes determinada a surgir serena e leve, nasceu um sorriso à la Alex DeLarge, Dorian Gray e toda a personagem que possua aquele sorriso de lado, cínico.


17 de junho de 2010 Publicado por | Nude... :) | Deixe um comentário

   

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