O dia de um Estranho Normal
Ele acorda às 8h, faz seu café forte – único sustento até o meio da tarde -, lê seus jornais, põe seu vinil pra tocar. Mas não abre o Twitter. Está dormindo até tarde.
Tem lá seus 20 e poucos vagabundos anos: camisa por cima de uma blusa, calça de malha, barba e All Star. Toma um banho demorado e escaldante, veste um Yves Saint Laurent – bem aquele da vitrine -, passa seu Issey Miyake e sai.
Vai à biblioteca. Brilha os olhos num Ginsberg, mas pega um Vinícius. Olha para o livro, olha para os lados. Sabe que já entende daquele amorzinho todo faz tempo, mas disfarça umas anotações para não notarem o Seminarista.
Chega à casa, ignora a dieta da nutricionista, colada na geladeira, e pega qualquer enlatado minimamente atraente. Pela tremedeira, concluiu ao seu sistema autônomo que estava faminto.
Está sozinho em seu cubículo. Pega um Hitchcock, põe no DVD e pensa Nela. Nela mais tarde. Pensa que não pode pensar Nela. Use a inteligência!
- Intelligence! Nothing has caused the human race so much trouble as intelligence! – a TV responde.
- What makes you think I’m enjoying being led to the flood? – sua tréplica.
Ele concorda.
Faz sexo selvagem com Ela. Sabe que do outro jeito é melhor em tudo, (ele) é melhor em tudo… do outro jeito. Mas bate ponto, o que o consome ao estopim de ter que levantar e fumar um (dois) cigarros na varanda.
Maldito fardo do livre arbítrio! Longe de mim ignorar um Grande Inquisitor dos jogos da sinceridade da única coisa sincera da vida! Jogo de intensidade? E mentiras lá deixam esses Curtas mais intensos? É, concordo que as mentiras sinceras são bem bonitas… justamente… quem conhece o lado sombrio antes vê muito, mas muito mais luz depois. Ah, é… cinismo. Paixão e… autoflagelação?…
Sai da sua película, volta para casa pelas sombras de… sei lá! São Petersburgo? Serve. Pega o celular. Olha a hora. Espera para ligar no dia seguinte.
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Qual era o vinil? rs
Como disse… Tá muito bom o conto pq realmente consegue passar sentimento e não apenas palavras avulsas… Não tinha como não me ver nele. Pensei muitas coisas… Pensamentos para conversas cervejeiras!
O vinil? Ah… pode ser um do Smiths ou… Joy Division? Você escolhe. :)
E a gente tem que bater esse papo sujo no Sujinho!
Smiths!
E a cerveja você escolhe!